🎬 Boyhood (2014)

13.10.16 Sincerely Ronnie 1 Comments


Como assim desde que eu comecei esse blog eu ainda não escrevi nenhuma resenha de filme? Nem parece que já tive um blog só pra falar disso, hahah... Enfim. Quis aproveitar esse Dia das Crianças pra assistir de novo um dos meus filmes preferidos da vida inteira - e, por conta disso, acabei me empolgando um pouquinho na hora de escrever essa resenha, haha! #sorrynotsorry

"Boyhood" é um filme de drama escrito e dirigido por Richard Linklater. O longa-metragem conta a vida de Mason (Ellar Coltrane), um garoto comum, mostrando as diversas etapas de seu crescimento, dos 6 aos 18 anos. O filme é um verdadeiro retrato da infância e de uma família. Aliás, já aviso que a sinopse é só isso mesmo e que não tem como dar spoilers nesse review, haha. "Tá, mas se é só isso, por que é que eu deveria assistir à um filme de 2 horas e 45 minutos que, aparentemente, não tem nada de extraordinário?". 

O primeiro motivo é que o longa foi filmado durante 12 anos, entre 2002 e 2013, com o mesmo elenco. A família de Mason é composta por sua irmã mais velha, Samantha (Lorelei Linklater, filha do diretor), sua mãe (Patricia Arquette) e seu pai (Ethan Hawke), que são divorciados. Já começa por aí: é um projeto um tanto quanto arriscado e ousado do cineasta - nenhum outro diretor realizou um projeto desses, com um período tão longo de filmagem. A única garantia que ele teria é que sua filha (que aos 9 anos, se propôs a participar) seria parte do elenco... Né? Não. A menina desanimou depois de 3 ou 4 anos de filmagem e pediu pra sua personagem ser morta, hahaha!

Além disso, a produção, que foi bem peculiar. Como a equipe era muito pequena, conseguiram manter o projeto em sigilo durante toda sua execução (!) e as filmagens eram feitas em apenas 3 ou 4 dias por ano. O roteiro foi se desenvolvendo ao longo dos anos e a maioria dos diálogos era improvisada pelos atores e não atores. É, no mínimo, interessante fazer um filme meio às cegas em que ninguém (nem mesmo o diretor) sabe que rumo a história vai tomar. Outra coisa bacana é que maquiagens e perucas foram banidas do set e os atores tinham que vestir suas próprias roupas, o que não é nada convencional em Hollywood.

As 143 cenas do filme giram em torno de pequenas ações do cotidiano e a partir daí já é fácil se identificar com o enredo. Diversas vezes me peguei pensando "nossa, já passei por isso" ou "o que eu faria nessa situação? É um filme que consegue prender a gente, sem saber ao certo o que vai acontecer com os personagens, mas também faz a gente repensar muita coisa na nossa própria vida e da família próxima. Enquanto Mason e Samantha vão crescendo, seus pais também vão envelhecendo e passam por suas dificuldades. As atuações de Hawke e Arquette são simplesmente brilhantes - não à toa, os dois foram indicados ao Oscar de melhor ator e atriz coadjuvantes (apenas Arquette levou). Mas quem me surpreendeu mesmo foi Coltrane, que desde pequeno mostrou tamanha desenvoltura diante das câmeras .

Aliás, me identifiquei muito com o Mason. Não sei se por eu ser filha de pais separados, por ser uma criança dos anos 90 e ter crescido no mesmo período que ele, por ser uma pessoa meio introvertida, enfim. Foram vários pequenos momentos em que eu me vi ali, no lugar dele. Quando a irmã mais nova tava enchendo o saco, quando ele saía pra encontrar o pai, quando sofreu sua primeira desilusão amorosa... E aí você vê: são coisas pelas quais muita gente passa e consegue se identificar também. Não tem nada de espetacular na vida de Mason, a não ser a vida em si. Acho que, inclusive, as gerações mais velhas vão conseguir se identificar e se emocionar também, porque eles são como os pais do Mason. 

Outra coisa que me fez apaixonar pelo filme foi a trilha sonora. O filme já abre com "Yellow", do Coldplay. Muito amor! Depois passa por The Hives, Blink-182, Britney Spears, Foo Fighters e ainda faz referências aos Beatles e Lady Gaga. Inclusive, são muitas as referências nesse filme! Não só musicais, mas não vou estragar as surpresas, haha! Mas achei o máximo que, mesmo sem o diretor colocar uma clara referência ao ano da filmagem, a gente poder perceber isso pelas músicas, pelos programas de TV, livros e videogames. E ainda que seja bem característico da época em que foi filmado, o filme consegue ser atemporal. Poderia ter acontecido em qualquer momento porque, como é característico dos filmes do Linklater, é apenas uma passagem de tempo.

Por fim, a montagem, que foi realizada de forma impecável. Pegar pequenas cenas de todos esses 12 anos e juntar tudo não pode ter sido fácil, né? Linklater teve que escolher onde começaria a história de Mason e então escolher as partes que importariam ao filme. E ele nunca escolheu errado. Todas as cenas nos prendem, seja com humor, raiva, medo ou quaisquer outros sentimentos. É como se a gente fizesse parte da família, então a gente se preocupa com os personagens, com os erros e as conquistas de cada um, como eles crescem, como eles mudam e, de muitas maneiras, continuam os mesmos. 

No final, depois de 165 minutos, é até difícil sair da sala. "Poxa, e agora? O que acontece com o Mason? É como se eu o conhecesse desde que era um garotinho. Como o tempo passa rápido..."

O filme alcançou 99% no Rotten Tomatoes (!), levou um monte de prêmios e outras tantas indicações. Infelizmente, das 6 indicações ao Oscar (melhor filme, melhor diretor, melhor ator coadjuvante, melhor atriz coadjuvante, melhor roteiro original e melhor edição), só levou uma. Por mim, tinha levado todos os Oscar, hahah! Mas 2015 foi complicado...

"Boyhood" é um pequeno milagre cinematográfico. É único. É uma obra de arte e é um dos meus filmes preferidos de todos os tempos. É um filme íntimo, simples e complexo ao mesmo tempo. É engraçado, triste e honesto. Eu sempre recomendo pra todo mundo e vou continuar a recomendar e assistir quantas vezes puder!

Tá aqui o trailer pra te deixar com vontade de ver também: https://youtu.be/Ys-mbHXyWX4

Não tinha como escrever pouco sobre esse filme. Então se você leu até aqui, obrigada. Tenho quase certeza de que já te convenci a ver o filme ;)

Feliz Dia das Crianças! 





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Um comentário:

  1. Oi,Verônica! Não tinha visto esse post! Eu também adorei esse filme, como ele transforma a vida como ela é, comum, em algo tão bonito, tão mágico. É um daqueles filmes que você termina de ver e fica ali, com mil sensações e pensamentos. Ah! e com ele também tive uma descoberta preciosa: a música Hero, da banda Family of the Year. Ótima resenha!

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